Como surgiu o “Depois do Sinal”?

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O “Depois do Sinal” veio assim… surgindo devagarinho e tomando corpo, até que um dia lá estava ele, sorrindo sorrateiro para mim, pedindo passagem e se instalando.

Tudo começou quando enfrentei uma série de dificuldades na escola com minha filha.

Me desdobrava entre trabalhar e dar o melhor de mim para que minha filha pudesse acompanhar os conteúdos da escola. Com isso, o tema do que acontecia depois da escola, em casa, foi se consolidando. O “Depois do Sinal” já nasceu com nome. Algo natural. Cheguei, já tenho nome e quero me instalar na sua vida. Posso? E como dizer não, se tantas dúvidas e sobressaltos me atropelavam todos os dias? Estas questões, sem respostas, foram surgindo e os dilemas das revistas me visitavam constantemente.

Como conciliar a agenda da mulher que trabalha com as questões corriqueiras do cotidiano de casa? Como me dividir e ainda assim estar inteira? E por fim… como conciliar demandas escolares das lições de casa e estudos para a prova com o tempo escasso que restava para isso?

Esta discussão é vista sob a ótica da mulher, mas não é a sua única perspectiva. Homens e mulheres hoje enfrentam dilemas, mas estes, também, vistos e vividos sob perspectivas diferentes. Fica compartilhada, em parte dos casos, a impotência de ambos diante da inevitável falta de tempo. E de energia. E de respostas.

Antes de mais nada, é preciso definir de que contexto estamos aqui nos referindo. Este é um exercício importante de reflexão e de recorte filosófico para não nos perderemos em nossas discussões, muito embora, de antemão, já saibamos que temos uma grande chance disto acontecer. Natural para quem se dispõe a discutir Educação e relações familiares no Brasil.  Estão aqui em pauta as famílias urbanas, em que homens e mulheres trabalham, com filhos em idade escolar, no Brasil, em que as escolas de período integral não são uma realidade como em países como os Estados Unidos. Estes últimos terão seguramente outros dilemas para se debruçar, mas com quem as crianças farão seus ‘deveres’ de casa, como estudarão para as provas, é um problema menor. Existem outros, tão volumosos quanto os nossos, como por exemplo o que farão com seu tempo ocioso, incluindo, aí, o excessivo tempo dedicado à TV e aos jogos eletrônicos.

O que fica da discussão, sem que nos alonguemos para outras reflexões, o que certamente faremos mais para frente, é o seguinte: nesta configuração familiar que temos hoje, dentro deste contexto que vivemos (famílias urbanas, com pais e mães trabalhando fora, escassez de tempo, exigências escolares para serem atendidas), como equacionar as demandas pedagógicas com vida cotidiana corrida, sem prejuízo de um ou de outro? De antemão, podemos adiantar: não, não conseguiremos conciliar a árdua e indigesta tarefa de desempenhar ambos os papeis de forma serena e efetiva. Mas isto também será pauta para muitas e novas reflexões.

Se servir de consolo, visto que as angústias permanecem no campo do subjetivo, seguiremos, então, para o campo das objetividades: não daria tempo por uma questão matemática.

Explico: não temos tempo hábil para desempenhar ambas as funções de forma satisfatória. É matemático:  nosso dia tem 24 horas, dormimos um pouco, trabalhamos muito, ficamos muito tempo presos no trânsito, temos pouco tempo, pouco fôlego, pouca energia e, como se não bastasse, pouco ou nenhum repertório, neste retrato que foi posto, para, no final de um dia exaustivo, ensinar aos nossos filhos o que não aprenderam, estudar conteúdos que não dominamos e prepara-los para provas lançando mão de recursos como criatividade e bom humor que nem sempre estão disponíveis para nós.

Isto porque ainda não estão postas aqui as questões de ordem subjetivas, que andam de mãos dadas com o baixo rendimento e fracasso escolar: baixa autoestima, angústia, isolamento. E o sentimento de impotência, nossa e de nossos filhos. E muitas vezes, da própria escola.

E é deste ponto que o “Depois do Sinal” solta as suas amarras e se lança, sem qualquer intenção de trazer questões fechadas e nem oferecer respostas prontas, mas sim de ser um espaço de reflexão e troca de ideias entre pessoas tocadas pelo mesmo desejo de reflexão sobre este tema tão pulsante e vivo para muitas famílias.

Esperamos que vocês gostem e se vejam nele.

E se não se enxergarem nele, que o “Depois do Sinal” seja um espaço de reflexão, crítica, construções coletivas e troca de experiências e saberes vistas sob diferentes ângulos. Porque é desta riqueza e multiplicidade de olhares que poderemos enriquecer a nossa prática e alimentar as nossas dúvidas com reespostas. Ou com novas indagações.

Seja bem-vindo. A casa é sua!

Adriana Bacci

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